- Morreu? – ouvi minha mãe dizer ao telefone. Desnorteada, não sabendo ao certo que horas eram, peguei meu celular na mesinha de cabeceira, constatando que eram ainda 06:00. Levantei correndo em direção ao quarto de minha mãe.
-Morreu? – perguntei, esperando ouvir outra que não a resposta que eu tinha ouvido segundos antes. Minha mãe, já aos soluços, assentiu. Eu não conseguia entender. Não queria acreditar que agora estava sozinha. Não fui capaz sequer de chorar, ou esboçar qualquer outra reação; simplesmente fiquei encarando minha mãe, esperando qualquer coisa.
Andei vagarosamente até o quarto de minha irmã. Sentia meu corpo mais pesado.
- Ele morreu. – pronunciei essas palavras, sentindo a dor e as pontas cravadas em meu peito.
- Eu ouvi. – ela disse. Aparentava estar confusa, assim como eu.
Não havia mais o que fazer. Fora uma jornada que estava se encerrando naquele momento. Uma jornada em busca de sua cura. Nada fora diagnosticado. Esse era o pior: nem saber o motivo de sua morte.
Simplesmente voltei à cama, deixando o pranto rolar, e o travesseiro encharcar. Chorando silenciosamente. Não querendo ouvir ninguém, não querendo ser digna da pena de ninguém. Restava apenas aguardar notícias, saber quando o corpo de meu querido vô chegaria à igreja para ser velado.
Ali, naquele momento, entendi o motivo de tanta insônia e tanta inquietação na noite que se passara.
Saudades, Nono Orvalino )':

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